Nossa proposta é ampliar a atuação na Agroecologia, agindo de forma participativa junto às comunidades rurais e urbanas necessitadas, afim de realizar trabalho orientado para Organização Popular

Agricultura Urbana

Praticar agricultura dentro ou em volta das cidades e metrópoles - AGRICULTURA URBANA e peri-urbana - é um fenômeno em expansão, particularmente nos países em desenvolvimento onde os sistemas urbanos de suprimento de alimentos não são acessíveis a toda a população. Os moradores urbanos estão cada vez mais suplementando sua alimentação diária e reforçando seus orçamentos domésticos ao cultivarem seus próprios alimentos, onde for possível. Criação de vários tipos de animais, nas áreas peri-urbanas, também vai se tornando cada vez mais comum. A FAO está destacando a necessidade de "políticas e planejamentos específicos" para administrar as questões ligadas à agricultura urbana, e enfatizando que ela não deve ser desenvolvida em competição com a agricultura rural, "mas deve se concentrar em atividades nas quais ela tem uma vantagem comparativa, tal como na produção de alimentos perecíveis, frescos”.

No Brasil a Agricultura Urbana faz parte do Programa Fome Zero e possibilita a produção de alimentos de forma comunitária com uso de tecnologias de bases agroecológicas em espaços urbanos e peri-urbanos ociosos. Com a mobilização comunitária, em especial com atuação das prefeituras, são implementadas hortas, lavouras, viveiros, pomares, canteiros de ervas medicinais, criação de pequenos animais, unidades de processamento/beneficiamento agroalimentar e feiras e mercados públicos populares. Os alimentos produzidos são destinados para auto-consumo, abastecimento de restaurantes populares, cozinhas comunitárias e venda de excedentes no mercado local, resultando em inclusão social, melhoria da alimentação e nutrição e geração de renda.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento calculou, em 1996, que 800 milhões de pessoas estão engajadas na prática da agricultura urbana ao redor do mundo, sendo a maioria delas habitantes de cidades asiáticas. Desses agricultores, 200 milhões são considerados produtores comerciais, empregando 150 milhões de pessoas em tempo integral.

Os grupos assessorados pelo Cepagro

Na grande Florianópolis e região, 11 grupos de Agricultura Urbana são assessorados pelo Cepagro. Em Itajaí a experiência acontece nos bairros de Espinheiros (comunidade do Portal) e São Vicente. Em Espinheiros, num pequeno espaço debaixo da linha de alta tensão, a horta comunitária é forrada por vistosos pés de cenoura, beterraba, brócolis, couve-flor, alface, rúcula e salsão. A colheita auxilia na subsistência das cerca de 10 famílias envolvidas, e os excedentes das hortaliças orgânicas serão comercializados no sistema “Colha-e-Pague”, fornecendo aos demais moradores produtos de qualidade inquestionável a preços acessíveis. Na comunidade São Vicente a área, de aproximadamente 3.000 m2, foi cedida pela Prefeitura para a ação social da paróquia. O propósito, inicialmente, é de produzir alimentos para a subsistência das famílias.

Em Florianópolis, o trabalho acontece em duas regiões: no entorno do bairro Monte Cristo e no sul da Ilha. No Monte Cristo a ação é articulada entre a Creche Chico Mendes, a Escola América Dutra Machado e o Lar Fabiano de Cristo. Espaços públicos, como terrenos da escola, e os reduzidos quintais de algumas famílias já estão tomados pelas hortaliças produzidas sem aditivos químicos. Na Creche há uma horta didática, acompanhada periodicamente pelos técnicos do Cepagro. No Lar Fabiano de Cristo uma horta comunitária encontra-se em fase de implementação, com o objetivo de subsistência das famílias participantes e abastecimento da cozinha da entidade.

No Sul da Ilha atuamos nas comunidades Areias do Campeche, Morro das Pedras, Trevo do Erasmo e Armação. As entidades envolvidas são a APAM, Escola General Antonio Vieira, Escola Básica Profa. Dilma Lúcia dos Santos e Creche Municipal das Areias, além do grupo comunitário com integrantes do bairro. Ao todo, cerca de 1000 crianças são beneficiadas com o projeto, de forma direta ou indireta. Nesse contexto, o enfoque é direcionado à educação ambiental, em práticas como construção e manutenção de composteira, produção de mudas e plantio nos canteiros das hortas didáticas agroecológicas.