Nossa proposta é ampliar a atuação na Agroecologia, agindo de forma participativa junto às comunidades rurais e urbanas necessitadas, afim de realizar trabalho orientado para Organização Popular

por Fernando Angeoletto
Através de homologação coordenada pelo MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), o Cepagro teve seu credenciamento aprovado para seguir nos trabalhos já desenvolvidos em ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural). As entidades credenciadas são monitoradas pelo Ministério e devem prestar seus serviços de acordo com Política Nacional de ATER, elaborada em 2003 a partir de ampla participação popular.
A execução de ATER, cuja premissa de ser pública e gratuita é prevista na Constituição de 1988, teve origem na fase da política desenvolvimentista do pós-guerra (década de 40). Desde então, quando sua concepção era pautada pela mecanização da agricultura, passou por diversas abordagens, obedecendo às conjunturas de cada momento.
Durante a ditadura, a ideologia dominante reduziu o conjunto de ATER à difusão de tecnologias e à controversa base epistemológica conhecida como Revolução Verde. Na prática, as grandes corporações passaram a dominar o sistema agrícola, espalhando agrotóxicos e mantendo os agricultores à mercê de pacotes tecnológicos considerados como verdades inquestionáveis.
Atualmente, a Política Nacional de ATER é diametralmente oposta a essa lógica. Priorizar metodologias participativas, resgatar o saber tradicional das comunidades e fomentar processos de produção compatíveis com os ideais de desenvolvimento sustentável, sobretudo amparado no arcabouço de conhecimentos da Agroecologia, são premissas da Política que completa, em 2008, 5 anos de existência.
O Cepagro, através dos projetos que executa, está em perfeita consonância com a Política Nacional de ATER, que consideramos uma conquista de grande relevância para os agricultores familiares e a sociedade em geral.