
Nossa proposta é ampliar a atuação na Agroecologia, agindo de forma participativa junto às comunidades rurais e urbanas necessitadas, afim de realizar trabalho orientado para Organização Popular
Erika Sagae, do Cepagro, em sua fala na abertura da Feira. Clique na imagem para ver o álbum
Movimentos sociais, cooperativas, associações e demais empreendimentos da Agricultura Familiar mostraram a força do segmento na Feira Sustentável, realizada de 30/10 a 01/11 em Florianópolis. A Feira representou também as temáticas e produtos da Economia Solidária, Pesca, Reforma Agrária e Energias Renováveis. Ao todo, 250 expositores divididos em 150 estandes aproximaram a produção rural e os consumidores urbanos, que também tiveram acesso a palestras, oficinas e debates.
Na mesa de abertura do evento, na manhã de 30/10, estiveram presentes diversas autoridades, deputados, um Ministro de Estado e apenas uma mulher: Erika Sagae, representante do Cepagro e dos Fóruns Catarinense e Brasileiro de Economia Solidária. “O mapeamento dos empreendimentos de Economia Solidária que estamos fazendo é inédito no mundo”, destacou Erika.
Já Álvaro Santini, representante do MST, assinalou que os produtos da Reforma Agrária chegam às mesas de 1,5 milhão de catarinenses, embora este fato seja “ignorado pela imprensa burguesa”. Santini rechaçou a ameaça da criação de uma CPI do MST. “Mais uma vez estão criminalizando os movimentos sociais”, disse ele, em tom de protesto.
Em sua fala, o Ministro da Pesca e Aqüicultura Altemar Gregolin afirmou que as gestões de Lula defenderam e legitimaram a Agricultura Familiar. “Antes, era visto como um segmento de quinta categoria, só se privilegiava o agronegócio. Hoje, comemoramos o dado apresentado pelo IBGE, dizendo que 70% da produção de alimentos no país é oriunda da Agricultura Familiar”, assinalou o Ministro.
Destinação correta dos resíduos orgânicos
Em consonância com os propósitos de sustentabilidade da Feira, o Cepagro, que também atuou na organização do evento, foi responsável pela reciclagem de todo o resíduo orgânico gerado durante os 3 dias. Cerca de 1,2 tonelada de sobras alimentares foram coletadas e encaminhadas à comunidade Chico Mendes, onde serão compostadas e servirão de insumo para o projeto de Agricultura Urbana.
Cerca de 400 pessoas assinaram Moção de Apoio e Defesa da Alimentação Escolar
Durante a Feira Sustentável, houve a circulação de um documento em defesa da qualidade da Merenda Escolar e da anulação do processo de terceirização na compra dos alimentos para esta finalidade. A Moção reivindicou também o cumprimento integral da Lei 11.947/ Resolução 38/2009, que assegura a aquisição direta, sem licitação, de alimentos produzidos pela Agricultura Familiar, Reforma Agrária, Povos Tradicionais e Pequenos Pescadores para a Merenda Escolar. Por fim, o documento cobra a garantia de que não haja alimentos transgênicos na Merenda.
Cerca de 400 pessoas, de segmentos representativos da Agricultura Familiar e Movimentos Sociais do Estado, assinaram a moção que será encaminhada às Secretarias de Educação e Agricultura de SC, bem como às comissões destas instâncias na Assembléia Legislativa.
Abordagem histórica para Economia Solidária
Em uma das palestras, o professor da FURB Valmor Schiochet apresentou elementos históricos para demonstrar o equívoco de certos modelos de desenvolvimento. “No início do século passado, em troca das obras da ferrovia, o governo cedeu 15 km de cada lado do trilho para os empreiteiros. A revolta da população culminou na Guerra do Contestado”, explica Schiochet. “Depois, vieram os alemães, expulsaram e mataram os índios e construíram suas casas em cima do rio. O resultado todos nós sabemos”, complementa, referindo-se às catástrofes ambientais no Vale do Itajaí.
Como o local de sua palestra foi a Assembléia Legislativa, Schiochet lembrou que muitas vezes aquele espaço foi ocupado pelas lutas dos camponeses. “Hoje, voltamos aqui para expor nossos produtos, fruto de nossa batalha e de nosso trabalho”, compara ele. “A Economia Solidária é a síntese da luta por cidadania e pelo fim da exclusão, com base na cooperação e na solidariedade. Aos trabalhadores não interessa apenas o espaço político, mas também a participação na Economia”, complementa.